O estado do Paraná tem editais como opção para captar recursos no Terceiro Setor

O estado do Paraná tem editais como opção para captar recursos no Terceiro Setor

Rafael Menezes, do Observatório do Terceiro Setor, afirma que, em tempos de crise, muitas famílias e empresas cortam – ou ao menos diminuem- as doações para entidades sem fins lucrativos. Com isso, segundo ele, pessoas que atuam nas organizações da sociedade civil (OSCs) podem perder o emprego, projetos sociais são descontinuados e a parte mais vulnerável da população é diretamente afetada.

Para amenizar os efeitos da crise e garantir a sustentabilidade financeira, é fundamental ter uma captação de recursos eficiente, baseada em diversas fontes de renda, como mensalidades e anuidades de associados, doações individuais, arrecadação junto a empresas e cadastro de cupons fiscais (o estado do Paraná existe essa opção). Ainda segundo Rafael, além disso, é possível buscar editais que tenham a ver com a área de atuação de sua entidade. Ser aprovado um processo seletivo desses não é fácil – há uma burocracia necessária e válida para que apenas projetos de interesse social sólidos sejam apoiados.

O empresário social Michel Freller, mestre em Administração pela PUC-SP e professor voluntário da Escola Aberta do Terceiro Setor, alerta que “em geral, os proponentes não sabem fazer orçamento, erram previsões e não conseguem demonstrar riscos e até mesmo resultados obtidos”.  Então, o que uma entidade sem fins lucrativos deve entender para ter seu projeto aprovado em um edital?

Rafael Menezes explica que primeiro, é necessário esclarecer que há, basicamente, dois tipos de editais: os públicos e os privados. Os agentes de editais públicos são os governos municipal, estadual e federal. Editais privados são fornecidos pela iniciativa privada, com ou sem fins lucrativos. Neles, os repasses de recursos financeiros vêm de empresas e organizações da sociedade civil, como associações, fundações, institutos e agências de cooperação internacional. Para Freller, o edital é uma ferramenta para diversificar as contas, “independentemente do tipo, projetos incentivados oferecem novas estratégias de fontes de recursos”.

Editais públicos exigem maior transparência e são efetivamente mais rígidos na seleção e cobrança da prestação de contas. Isto é bom porque dificulta o mau uso dos recursos governamentais, mas também inviabiliza parcerias do poder público com pequenas e médias entidades da sociedade civil. Inclusive, muitas vezes, exige-se que a OSC possua um fundo próprio, pois nem sempre o crédito para o projeto é adiantado. Pelo contrário, muitos repasses de recursos públicos são atrasados. Por isso, o caminho menos complicado é recorrer aos editais de fundações, sejam elas familiares, comunitárias, empresariais ou mistas, conclui Rafael Menezes.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor